Tiago Splitter

Splitter abre caminho para novos técnicos brasileiros na NBA, diz Galvani

Splitter abre caminho para novos técnicos brasileiros na NBA, diz Galvani

A trajetória de Tiago Splitter como treinador na NBA vai além da conquista pessoal: pode servir de referência para outros brasileiros que sonham em trabalhar na principal liga de basquete do mundo. É o que avalia Vítor Galvani, técnico brasileiro que atua na NBA G League, liga de desenvolvimento ligada à NBA, em entrevista ao Lance!.

O peso simbólico de Splitter

Para Galvani, Splitter carrega um significado que ultrapassa estatísticas e resultados. Ídolo como jogador, com passagem marcante pelo San Antonio Spurs, ele agora constrói reputação também no banco de reservas. Depois de um início de temporada conturbado, Splitter assumiu contrato com o Chicago Bulls, um desfecho que Galvani classifica como especialmente relevante dentro do contexto do basquete brasileiro.

- O Tiago é um ídolo para a gente. Foi um ídolo como atleta e agora segue sendo como treinador. Ser técnico como estrangeiro na NBA é muito difícil. E ele conseguir fazer isso e conseguir fazer bem já na sua primeira temporada, depois de uma situação muito caótica no início da temporada, agora assumindo um contrato com os Bulls, é muito importante - afirmou Galvani.

Um caminho que pode abrir portas

Galvani defende que o sucesso de um compatriota em um ambiente tão competitivo quanto a NBA tende a beneficiar toda uma geração de profissionais brasileiros. Para ilustrar o raciocínio, ele recorreu a um exemplo fora das fronteiras do país: a relação entre Sergio Hernández, Rubén Magnano e Julio Lamas, três nomes centrais na história recente do basquete argentino, que mantêm amizade e reconhecem como as conquistas de cada um impulsionaram as dos demais.

- A gente torce muito para que ele dê certo, porque sabe que, muitas vezes, a vitória de um é a vitória de todos. [...] Eu acho que, sim, abrem portas para que mais treinadores talvez consigam isso no futuro - completou o treinador.

Metas que vão além da quadra

Questionado sobre seus planos para os próximos cinco, dez ou quinze anos, Galvani deixou claro que sua ambição não se limita a títulos ou cargos. Casado e pai de dois filhos, ele associa o crescimento profissional à qualidade de vida da família, um equilíbrio frequentemente exigido de quem constrói carreira fora do Brasil, em rotinas de viagens constantes e adaptação cultural.

- Quero poder continuar impactando as vidas dos atletas com quem trabalho e continuar dando uma condição familiar para a minha esposa e para os meus dois filhos, para poderem viver bem, ter uma boa condição, viajar e conhecer outras culturas. É isso que eu vejo - concluiu.

O depoimento de Galvani reforça um movimento silencioso, mas crescente, de brasileiros ocupando espaços técnicos no basquete internacional. Se a trajetória de Splitter continuar sólida junto ao Bulls, a expectativa, segundo o próprio Galvani, é de que mais portas se abram para profissionais do país na NBA e em suas ligas afiliadas.