Enquanto o circuito mundial de tênis se prepara para mais uma edição do torneio mais tradicional do esporte, Wimbledon segue como sinônimo de história, etiqueta e grama impecável. Disputado entre o fim de junho e o início de julho, no bairro de Wimbledon, em Merton, subúrbio de Londres, o torneio é um dos quatro Grand Slams da temporada - ao lado do Aberto da Austrália, Roland Garros e o US Open - e o único que ainda se joga sobre grama natural, superfície que exige adaptação técnica e tática diferenciada dos tenistas.
Uma origem ligada ao críquete e ao século XIX
O primeiro campeonato de Wimbledon aconteceu em 1877, disputado em um dos gramados do All England Croquet and Lawn Tennis Club, clube que, a partir de 1899, passou a se chamar All England Lawn Tennis and Croquet Club, nome mantido até hoje. A entidade organizadora nasceu voltada ao críquete, e o tênis se consolidou gradualmente como sua atividade central. Em 1884, o torneio deu um passo importante ao introduzir a chave feminina de simples, além de transferir para Wimbledon as duplas masculinas, competição que antes era disputada em Oxford. As duplas mistas e as duplas femininas só viriam a ser incorporadas ao programa em 1913, completando o formato que, em linhas gerais, segue até os dias atuais.
Da era amadora à profissionalização
Por quase um século, Wimbledon foi disputado exclusivamente por jogadores amadores, reflexo de uma concepção de esporte ligada à tradição britânica. Essa realidade mudou em 1968, quando o torneio finalmente se abriu aos profissionais, movimento que coincidiu com o início da chamada Era Aberta do tênis mundial. Não por acaso, os campeões de simples daquele ano entraram para a história: o australiano Rod Laver, no masculino, e a norte-americana Billie Jean King, no feminino, símbolos de duas das maiores trajetórias que o esporte já produziu. Atualmente, além das chaves de simples e duplas masculinas, femininas e mistas, o torneio também disputa categorias juvenis, masculina e feminina, formando a base de revelação de futuros profissionais. A história completa da competição, de seus primórdios ao presente, é preservada no Wimbledon Lawn Tennis Museum, instalado no próprio complexo do All England Club.
Marcas que atravessam gerações
Poucos torneios concentram tantos capítulos marcantes quanto Wimbledon. Em 1920, a francesa Suzanne Lenglen tornou-se a primeira pessoa a conquistar três títulos em uma mesma edição, somando troféus em simples e duplas, um feito que reforçou seu status de pioneira do tênis feminino. No masculino, coube ao norte-americano Don Budge, em 1937, tornar-se o primeiro homem a repetir essa tripla conquista em um único ano - repetida por ele em 1938, quando também venceu os outros três Grand Slams da temporada, completando o primeiro Grand Slam de calendário da história do tênis.
Décadas depois, em 1980, o sueco Björn Borg venceu o título de simples masculino pela quinta vez consecutiva, um feito que remetia a façanhas anteriores alcançadas por William Renshaw, nos anos 1880, e por Laurie Doherty, na década de 1900 - ambos, porém, beneficiados pelo antigo sistema de challenge round, que dava vantagem competitiva ao campeão em exercício, isentando-o de jogar as fases anteriores do torneio.
Um legado que segue vivo
Mais de 140 anos após sua primeira edição, Wimbledon preserva elementos que o distinguem dos demais Grand Slams: o dress code branco obrigatório, a grama como superfície exclusiva e um cerimonial que remete às origens vitorianas do esporte. Esses traços, longe de serem meramente estéticos, ajudam a explicar por que o torneio continua despertando fascínio renovado a cada temporada, tanto entre tenistas que sonham em erguer o troféu quanto entre o público global que acompanha o esporte.